Na última sexta, terminei a leitura do livro "Leitura de Verão", de Emily Henry. É um romance que conta a vida da escritora de romances January Andrews após a perda de seu pai e descoberta de sua traição, abalando sua visão positiva sobre o mundo e a fazendo questionar suas próprias histórias e finais felizes. January se aproxima de Augustus Everett, antigo colega de faculdade e também escritor, por quem sempre foi atraída, ao se tornar vizinha dele. Gus, diferentemente, escreve poucos finais felizes e explora o mundo como ele realmente é.
Demorei 1 ano para ler o livro todo. Eu o li em inglês, então muitas palavras e expressões ficaram soltas na minha cabeça, dificultando minha atenção já se deteriorando pelas redes sociais. Inclusive, pensei que o influencer @carringtonxx daria um bom Gus (pelo que me lembro ter entendido de sua descrição, na verdade eles não tem nada a ver, mas as covinhas pareciam combinar). Também é bom ressaltar que o peguei emprestado de uma pessoa que já nem faz mais parte da minha vida. Eu devia devolver o livro?
Isso não é uma resenha. Isso é para quem já leu o livro e não tem companhia para discutir as questões do final da obra. Eu não sei fazer resenhas e não tenho embasamento nenhum para opinar sobre alguma coisa. Não é querendo tirar minha credibilidade, mas é mais para me prevenir de possíveis futuras pessoas rudes.
1. Quais tropos tradicionais de romance você vê sendo usados em Leitura de Verão? De que maneiras o livro desvia ou subverte os tropos de romance?
Foi especialmente difícil escrever essa frase acima traduzida. Com "tropos", a autora se refere a dinâmicas de casal, como se desenvolveram. Nesse caso, eu acredito ter sido o Enemies to Lovers, ou seja, eram inimigos antes de se aproximarem. Quando January fala sobre seu tempo na faculdade, ela descreve que Gus e ela não eram amigos e, na verdade, ela o ignorava por completo por ele caçoar dela, seu jeito e sua escrita. Ambos se sentiam atraídos e acreditado que o outro o odiava. Sendo assim, não eram realmente inimigos, mas era o que January sozinha acreditava, alegando ter sido destratada. Gus, por outro lado, admite ter sido muito infantil mas ressalta no fim do livro que sempre tentou se aproximar da protagonista, tendo sido rejeitado todas as vezes.
2. Seja você um escritor ou não, como você vê o conceito de bloqueio criativo na sua vida? Se você pudesse dar um conselho à January para lidar com essas fases da vida, qual seria?
Não sei se escritora de blog conta como escritora. Eu adoraria escrever livros e tenho muitas ideias para projetos, mas não tenho habilidade o suficiente (ainda) para botar no papel, mas desenvolvo arte de formas diferentes. A arte sempre foi parte crucial da minha vida e do meu desenvolvimento na infância até o momento que passei a criá-la. Nesses momentos, é importante refletir várias coisas. Eu (ainda!) não ganho dinheiro com a minha arte e não é necessário para mim o estresse da expectativa de criar logo. É claro que há momentos em que eu me sinto mais motivada ou inspirada, ou só sinto saudades. O que faço é, realmente, esperar. Passo meses sem criar nada simplesmente por não estar sentindo que devo, ou por não ter nada realmente urgente para tirar do meu coração, então apenas espero o tempo que for até o tempo certo. Para January é diferente, porque a carreira dela e consequentemente outras pessoas dependem do coração dela estar ou não sentindo algo. Independentemente disso, ainda não aconselharia apressar o processo - buscar inspiração com calma é mais benéfico que se estressar.
3. Se você pudesse visitar um dos cenários do livro, com um de seus personagens, quem e onde você escolheria?
Eu gostaria de conhecer January, no final do livro. Não sei em qual cenário, mas eu teria várias perguntas a ela. Também me enxergo como uma pessoa super otimista, já adiantando a 5° pergunta! Desde sempre fui muito esperançosa e conforme eu cresço e envelheço, passo por MUITAS decepções. Nunca conheci pessoalmente alguém como eu, e acho que seria reconfortante ter uma conversa sincera com ela pra tentar curar alguma coisa em mim mesma.
4. January tem um peso em suas costas devido às reações negativas ao seu gênero de escolha. Você já se sentiu envergonhado por gostar de um gênero específico ("book-shamed")? Envergonhado por sua carreira (career-shamed)?
Por livro, acredito que não. Gosto muito de ler, e gosto de explorar gêneros diferentes, então esse tipo de questão nunca me afetou nem indiretamente. Quanto à carreira, já! Eu cursei 2 anos de Oceanografia e fui julgada desde o início até por pessoas próximas. É de conhecimento geral dos estudantes do curso que não é uma área conhecida, então é comum o estranhamento dos outros. Já ouvi de pessoas próximas que o que eu havia escolhido não tinha nada a ver comigo e, dessa vez, esses comentários tomaram muito conta da minha cabeça. No fim das contas, por esses e outros motivos, troquei de curso e fui para Pedagogia. Também fui muito julgada por inúmeras pessoas, mas já parecia ser mais aceitável para algumas pessoas ao meu redor. Jamais fui próxima de várias dessas pessoas, então é esquisito ouvir na cara que, de algum modo, elas me conhecem mais do que eu mesma ou que minhas escolhas são bobas.
5. Sua visão de mundo é mais como a de Gus ou a de January? Você costuma ser mais otimista ou pessimista? Isso mudou com tempo e experiência?
January, para sempre e 1000 vezes. Já mencionado antes, sempre fui assim, mas o tempo sim mudou por um tempo o meu jeito de agir e lidar com as coisas. Perceber o quão BOBO é para as outras pessoas estar feliz consigo mesma fez eu passar a maior parte da minha adolescência muito insegura. Conhecer bons amigos e passar por muitas situações diferentes fez eu trazer de volta a positividade pra minha vida. Mesmo quebrando a cara tantas vezes, não posso não esperar o melhor dos outros (ainda é bom se prevenir!)
6. Várias das questões entre January e Gus começam com suposições. Como você percebe as experiências passadas de January se associando com as suposições que ela faz? Você percebe isso acontecendo na vida real?
Percebo January talvez tão na defensiva pelo seu período de faculdade que ao encontrar Gus novamente, preferiu tentar reprimir tudo o que sentia. Gus por sua vez não pareceu estar tão errado sobre suas suposições a January - apesar de no íntimo eles não se odiarem, Gus tentava se aproximar de um jeito hostil e infantil e, obviamente, não foi correspondido, então sua suposição era parcialmente verdadeira.
7. O pai de January merecia seu perdão? Ela realmente o perdoou?
Eu genuinamente penso que sim. O livro parecia ir para reflexões e abordagens sobre a complexidade das pessoas e não foi isso que aconteceu, ou pelo menos não como eu esperava. Mas todas as pessoas cometem erros, dos mais inofensivos a grandes efeitos borboleta, e eu sei disso mais que ninguém. O pai de January se arrependeu e se redimiu, jamais deixou de ser presente e dar à família o que mereciam. Acho questões como essa banais para serem discutidas principalmente nas redes sociais ou em grupos, mas, no fundo, todo mundo sabe que a vida não é um mar de rosas e todos temos nossos segredos e pecados. O importante, aqui, foi a forma em que ele lidou e reagiu. Quantas pessoas vemos no nosso cotidiano que erram sem se importar com as consequências justamente por não considerarem seus atos falhos? Tem muita sociologia por trás disso e um mérito que não quero abordar, mas a complexidade das pessoas corresponde também aos seus erros e a forma em que lidam, onde está atrelada também sua ética, até aquele momento. Hoje terminei um livro que me apresentou a frase "alguns erros não merecem consequências, só o perdão".
8. Você acredita na ideia de Felizes Para Sempre? Como o seu FPS se pareceria na vida real?
Acho que acredito. Depois do primeiro filme da Cinderela, vieram mais dois, com outros problemas e questões. Talvez o Felizes Para Sempre seja o ponto de transformação, como em todas as histórias de contos de fadas. Para Cinderela, ter coragem e ser gentil lhe presenteou com justiça, depois de passar sua vida oprimida. Sair dessa situação foi seu Felizes Para Sempre. Para January, foi se redescobrir. Um momento em que você pode dizer "ufa, finalmente".
Meu FPS seria ver meus pais felizes e descansando.
9. Você prefere ler livros com algum tipo específico de final? Você prefere saber que tipo de final esperar?
Não! Minhas obras favoritas são todas deprimentes, mas eu juro que não estava esperando.
Na verdade, até acho saudável consumir coisas diferentes, talvez nos deixe menos mesquinhos.
10. Qual é a sua leitura de praia perfeita?
Nenhuma, pois na praia gosto de dormir e nadar.
11. Se January e Gus ganharem uma sequência, sobre o que ela seria? O que você acha que virá em seguida para eles? O que você espera, deseja?
Eu adoraria ver Gus e January passando pelos mesmos problemas que eu pra que eu me sinta refletida e encorajada pela mídia e finalmente dar um jeito na minha vida.
De 5 estrelas eu daria 3! Foi divertido. As próximas perguntas que irei responder são as do livro "As Mil Partes do Meu Coração" (Without Merit) da Colleen Hoover, que completei hoje mesmo a leitura. Obrigada por lerem as minhas respostas!
- Luli
